A morte de Carlos Alberto Gomes, aos 85 anos, registrada nesta sexta-feira (26), em Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, encerra um capítulo relevante da história política e educacional do Brasil. Ex-ministro da Educação, senador, deputado federal e secretário de Estado, Chiarelli construiu uma trajetória marcada pela atuação em cargos estratégicos durante momentos decisivos da vida pública nacional. A informação foi confirmada pela família e pela Prefeitura de Pelotas, cidade onde ele nasceu, viveu e estava hospitalizado.
Reconhecido por seu perfil intelectual e pela habilidade como orador, Chiarelli ocupou o Ministério da Educação entre 1990 e 1991, durante o governo do então presidente Fernando Collor de Mello. Posteriormente, assumiu o cargo de ministro extraordinário para Assuntos de Integração Latino-Americana, função exercida entre 1991 e 1992. Em ambas as posições, esteve diretamente envolvido em debates sobre políticas públicas, educação superior e relações institucionais em um período de grandes transformações políticas no país.
Antes de integrar o primeiro escalão do governo federal, Chiarelli já havia consolidado carreira no Legislativo. Foi deputado federal entre 1979 e 1983 pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e, na sequência, senador da República entre 1983 e 1991, inicialmente pelo PDS, legenda que mais tarde se transformaria no PFL. No Senado, participou de discussões relevantes no contexto da redemocratização brasileira, acompanhando de perto mudanças estruturais que moldaram o cenário político das décadas seguintes.
No âmbito estadual, sua atuação também foi expressiva. No Rio Grande do Sul, exerceu cargos como secretário do Trabalho e Ação Social e secretário das Relações de Trabalho, acumulando experiência tanto na gestão pública quanto no diálogo com diferentes setores da sociedade. Além disso, teve forte ligação com o meio acadêmico, ocupando o cargo de vice-reitor da Universidade Católica de Pelotas, onde contribuiu para a formação institucional e administrativa da universidade.
A notícia do falecimento repercutiu entre autoridades e lideranças políticas. Em nota oficial, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacou a importância de Chiarelli para a vida pública brasileira, definindo-o como “um grande gaúcho que marcou sua época”, além de ressaltar seu perfil intelectual e sua capacidade de articulação política. As manifestações reforçam o reconhecimento de sua relevância além das fronteiras do estado, refletindo uma carreira de alcance nacional.
O velório de Carlos Alberto Chiarelli está marcado para a tarde desta sexta-feira, no Memorial Pelotas Cemitério Parque, em uma cerimônia que deve reunir familiares, amigos e representantes de diferentes áreas da vida pública. O sepultamento está previsto para a manhã de sábado (27), no mesmo local. A família optou por manter uma despedida discreta, preservando o caráter respeitoso do momento.
A morte de Chiarelli ocorre em um contexto em que o país revisita o legado de figuras que ajudaram a estruturar instituições políticas e educacionais nas últimas décadas. Seu percurso, marcado pela combinação entre política, gestão pública e vida acadêmica, deixa registros importantes para a memória nacional. Ao longo de mais de meio século de atuação, Carlos Alberto Gomes Chiarelli construiu uma história que segue sendo referência para quem acompanha a evolução da política brasileira e seus impactos na sociedade.
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